Já faz algum tempo que eu queria escrever para falar do meu
orgulho.
Sim, vou falar de bairrismo. Quem me conhece sabe que o meu
está até na pele, para que eu sempre me recorde de onde vim. Não que atualmente
esteja longe de casa, mas o pouco que estive me serviu pra uma coisa: saber o
quanto é bom estar aqui, o quanto é bom morar aqui e conviver com as pessoas
daqui.
Esse orgulho foi potencializado recentemente. Sabe aquela
velha história de que tu só sabes reconhecer quando não tens mais? Foi algo
parecido com isso. Passei três semanas fora da Querência Amada, mas quando
toquei o solo gaúcho novamente chorei, sim, por mais que pareça ridícula uma
pessoa chorando na aterrissagem de um avião.
Vai ver pensaram que eu estava aliviada por estar com medo,
mas não, era orgulho, era choro de alegria. Chorei porque esse período foi suficiente
para eu perceber que sim, viver aqui é a melhor coisa que tem. É o melhor lugar
pra se viver sim! Não adianta falar o contrário e tentar discutir com
bairrista, quem já tentou sabe.
Ok, estou escrevendo isso hoje, um dia depois da morte de um
grande ícone tradicionalista gaúcho. Mas não vou dar uma de fanboy, eu conheci pouco de sua vida,
mas inconscientemente muito de sua obra.
Não é apenas uma coincidência, perdas me causam esse tipo de
tristeza, aí eu escuto Céu, Sol Sul e o Canto Alegretense e choro, como uma
boba mesmo. Mas é que poucas pessoas realmente compreenderão o que estou
querendo expressar. É difícil encontrar as palavras, até pra quem as escreve.
Orgulho? Bairrismo? Amor? Tradicionalismo? Paixão? Quando eu descobrir concluo
o raciocínio...